– Não sei você, mas eu cansei de guardar segredos. – Ela mordeu um pouco os lábios e tomou um gole do chope. – Os segredos deviam deixar de ser segredos. Deviam ser apenas pedaços da vida que deram errado.

– Ué, mas pra isso é só contar. Me conta aí um segredo seu. – Paulo largou uma baforada de cigarro para o alto antes de se aprumar na cadeira esperando a reação de Flavia.

Ela teve muita vontade de contar. Chegou a elaborar as palavras, e à medida que iam tomando forma em sua cabeça, o rubor invadiu suas bochechas.

– Nossa, mas esse segredo deve ser bom mesmo, agora eu quero saber.

Paulo riu do seu jeito mais espalhafatoso e fez com que todas as pessoas ao redor olhassem para os dois.

Ela pegou a bolsa e correu para o banheiro. A fila estava imensa. Assim que se virou de costas deu de cara com Paulo.

– Calma. Não precisa ficar assustada. Eu já sei o seu segredo. Não precisa nem me contar.

– Como você sabe? Ninguém sabe. Eu nunca contei pra ninguém.

Paulo sorriu.

– Você fala enquanto dorme.


(miniconto . ficção. 14/06/2022)

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